SÍFILIS

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Precisamos falar da atual epidemia desta doença, que acomete homens e mulheres sem distinção qualquer.

O Brasil vive atualmente uma epidemia de sífilis, uma doença muito antiga e aparentemente menosprezada na atualidade. Dados epidemiológicos mostram um aumento importante nas taxas de detecção da doença a partir de 2016. A prática de consultório também nos mostra que há muitos mais casos do que antigamente. A população atualmente mais exposta é a população jovem. A liberdade sexual da atualidade tem sido confundida com a negligência dos hábitos saudáveis de atividade sexual, principalmente o uso de métodos de barreira, como o preservativo masculino e feminino. A epidemia já é considerada alarmante pelas autoridades.

A sífilis é uma doença antiga, famosa na história por ter vitimado poetas, escritores, autores no passado, antes da descoberta do antibiótico. Trata-se de uma infecção sexualmente transmissível, causada pelo Treponema pallidum, uma bactéria em forma de espiral, chamada de espiroqueta. Sua manifestação clássica, na forma primária, é o cancro duro, uma lesão endurecida, elevada, podendo ter uma ulceração no seu centro. Apesar disto, esta lesão é indolor e se resolve espontaneamente em semanas, passando a falsa impressão de cura.
A forma secundária é conhecida como a doença das mil faces, com várias formas de manifestação clínica, desde mal estar, febre, ínguas, manchas e rashes cutâneos que não doem ou coçam, principalmente na palma da mão e plantas dos pés. Pode acontecer entre 6 semanas e 6 meses da lesão primária quando não for tratada.

A forma terciária é a mais grave e pode ocorrer de 2 a 40 anos após a infecção inicial não tratada. Pode acometer ossos e o sistema nervoso central, com graves sequelas.

O exame clínico é o mais importante, principalmente na forma primária, onde é possível dar um diagnóstico e não tardar o tratamento. O diagnóstico é confirmado por exames baratos de sangue, como o VDRL e o Fta-Abs.

O tratamento mais efetivo é a boa e velha penicilina. Um antibiótico muito antigo, relativamente barato, fácil de ser achado e aplicado. A dose depende da fase da doença em que o paciente se encontra.

É importante que se ressalte que a conscientização de proteção durante a atividade sexual é um fator preponderante para frearmos essa epidemia. A necessidade de ir ao médico para avaliação de qualquer alteração genital é também muito importante para evitar a evolução e propagação da doença.

Dr. Paulo Jaworski
FORMADO PELA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ EM 2006, É MEMBRO TITULAR DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE UROLOGIA, COM EXPERIÊNCIA INTERNACIONAL DE FELLOWSHIP NO DENVER HEALTH MEDI- CAL CENTER, NOS ESTADOS UNIDOS.
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